Refugiadas visitam a mostra "Pequim+30 e a Igualdade de Gênero" na Câmara dos Deputados em Brasília
Refugiadas visitam a mostra "Pequim+30 e a Igualdade de Gênero" na Câmara dos Deputados em Brasília

Exposição celebra os 30 anos da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, promovida pela ONU em Pequim, um marco da política global em defesa das mulheres e meninas
Mulheres refugiadas visitaram a mostra “Pequim+30 e a Igualdade de Gênero” no Parlamento Brasileiro junto à equipe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). A exposição celebra os 30 anos da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Pequim, na China, reconhecida como um marco da política global em defesa das mulheres e meninas. Após a visita guiada por espaços da Câmara dos Deputados, além do Corredor Tereza de Benguela, foi realizada uma roda de conversa entre elas sobre a importância dos direitos conquistados ao longo desses 30 anos, especialmente para mulheres refugiadas.
A IV Conferência Mundial sobre a Mulher realizada em 1995 destacou os avanços e avaliou os obstáculos a serem superados para que mulheres tenham as mesmas condições e direitos concedidos aos homens. Durante a conferência, foram lançadas a Declaração e a Plataforma de Ação de Pequim, documentos que estabeleceram diretrizes para os países alcançarem a igualdade de gênero. A venezuelana Brenda, que fez parte do grupo, estava surpresa com o que viu.
“Não conhecia Pequim+30 e está sendo impressionante saber disso agora. Mais impressionante ainda foi saber que nenhum país conquistou a igualdade de gênero até hoje”, destaca.

A venezuelana Fabíola disse estar impressionada com o quão recente na história são as conquistas de direitos das mulheres.
“Não tem cem anos ainda. E esses direitos estão muito limitados em certos países. A única maneira que podemos acessar direitos e igualdade é sempre estar lutando. Em qualquer momento, podem tirar nossos direitos”.
Junto do grupo de mulheres estavam também os filhos de Luisa, a menina com 5 anos e o menino com 2 anos. As duas crianças nasceram no Brasil e acompanharam todo o passeio.
“Essa visita foi ultra importante para mim. Vim com meus filhos, saí do meu conforto. Adquiri conhecimento. Estou aqui compartilhando com mulheres e sabendo mais do Brasil. Estou em choque e não posso crer. Tenho que chegar em casa, pensar em tudo que vi e entender”, conta.
Conhecida pela comunidade de refugiados e migrantes do Distrito Federal, Ambar foi uma das mulheres que foram entrevistadas pela Rádio Câmara. Ela tem o próprio negócio de alimentação em São Sebastiao, criou um projeto para ensinar bordado a mulheres refugiadas e coordena a associação Venezuelanos Organizados. Para ela, a visita significou conhecer mais sobre aspectos que influenciam na vida e trabalho da mulher refugiada, migrante e brasileira.
“As estatísticas mostram quanto tempo demoram para alcançar essas metas. E são desastrosas. Nosso trabalho é lutar e trabalhar para que avancemos mais rápido”, explica.

Em entrevista à jornalista Vera Morgado, Ambar relembra como foi a chegada no Brasil e conta sua trajetória até se tornar uma liderança para mulheres refugiadas no Brasil
A afegã Behishta, que em seu país de origem atuava na área do Direito, ficou assustada com a proporção de parlamentares mulheres no Congresso Brasileiro comparado à quantidade de parlamentares homens. Atualmente, apenas 17,7% das vagas nessa Casa legislativa brasileira são ocupadas por mulheres, menos da metade da proporção registrada na Bolívia, no Equador e na Argentina.
“Eu pensava que via muita desigualdade entre homens e mulheres por ser do Afeganistão, mas foi uma surpresa para mim saber que há desigualdade entre gêneros no mundo todo, inclusive nos países desenvolvidos. Fiquei chocada. Como mulher, ainda temos que trabalhar duro para ter igualdade em todas as dimensões de nossa sociedade”, comenta.

As mulheres conheceram também o plenário da Câmara dos Deputados, local onde acontecem as atividades regimentais da Casa
Além da exposição e do plenário, as mulheres puderam visitar também alguns espaços com peças de arte expostas na Câmara e aproveitaram a oportunidade para exibir um tapete bordado por elas e outras mulheres refugiadas e migrantes.
